
O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), orienta produtores de soja e milho sobre técnicas de manejo, conservação do solo, uso de bioinsumos e planejamento da semeadura para reduzir os riscos de perdas provocadas pela irregularidade das chuvas. As ações, apoiadas em pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), buscam ampliar a capacidade das lavouras de enfrentar os desafios climáticos e contribuir para a sustentabilidade da produção agrícola no estado.
Entre as alternativas estão os bioinsumos, que podem favorecer o desenvolvimento das raízes e melhorar o aproveitamento de água e nutrientes. Um exemplo é o Hydratus, tecnologia desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo. Em avaliações realizadas em 30 áreas comerciais, apresentou ganhos médios de 4,8 sacas por hectare na soja e 7,7 no milho. Os resultados não representam uma estimativa de produtividade para o Tocantins.
O pesquisador da Embrapa, Jones Simon, ressalta que o uso dessas tecnologias exige avaliação criteriosa. “Uma planta pode apresentar melhores condições fisiológicas durante a estiagem sem que isso necessariamente resulte em maior produtividade. Por isso, os benefícios precisam ser comprovados em experimentos de campo, considerando as diferentes condições de produção encontradas no estado”, pontua.
Além dos bioinsumos, práticas como o Sistema Plantio Direto, a rotação de culturas e o consórcio milho-braquiária contribuem para proteger o solo e conservar a umidade.
A Seagro também destaca a importância do planejamento das safras, com a escolha de cultivares adaptadas às condições regionais e a definição das épocas de plantio. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é uma das ferramentas disponíveis para orientar a semeadura em períodos de menor risco.
O diretor de Agricultura, Agronegócio e Pecuária, da Seagro, José Américo, ressalta que a integração entre pesquisa e orientação técnica contribui para dar mais segurança ao produtor. “A parceria com a pesquisa nos permite estruturar orientações técnicas que chegam ao campo com aplicabilidade prática, ajudando o produtor a planejar melhor suas safras e a conviver de forma mais resiliente com as oscilações do clima em nosso estado”, enfatiza.
Segundo a Embrapa, períodos de 10 a 15 dias sem chuva podem comprometer a produtividade, especialmente quando coincidem com o florescimento e a formação dos grãos. As altas temperaturas podem agravar esse cenário, aumentando a perda de água pelas plantas e pelo solo.
A pesquisadora da Embrapa, Patrícia Resplandes, evidencia a importância das práticas de conservação. “A adaptação da agricultura às mudanças climáticas começa pelo manejo adequado do solo. Um solo bem estruturado, com boa cobertura vegetal, fertilidade equilibrada e capacidade de armazenar água, permite que as plantas enfrentem melhor os períodos sem chuva”, explica.
Próximas safras
Diante das previsões de El Niño para a safra 2026/2027, a Embrapa apresentou, ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), um conjunto de 163 medidas voltadas à redução dos riscos climáticos na agropecuária brasileira.
No Tocantins, a combinação entre pesquisa científica, orientação técnica e práticas de conservação do solo amplia as alternativas para que os produtores planejem suas atividades, reduzam a exposição das lavouras à estiagem e fortaleçam a sustentabilidade da produção de soja e milho.
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