

O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), participou nessa terça-feira, 28, do Fórum Agro & Meio Ambiente: Inteligência Territorial no Tocantins — Quem Produz Preserva, realizado às 19 horas, no auditório do Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos, em Palmas.
Durante o evento, o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, apresentou a palestra Tocantins: onde a produção e o meio ambiente geram valores, destacando o papel do setor agronegócio na construção de um modelo que alia produção, legalidade ambiental, conservação da vegetação nativa e desenvolvimento sustentável.
A apresentação reforçou que os resultados alcançados pelo Tocantins são frutos de uma atuação integrada entre poder público, instituições parceiras, órgãos de controle e fiscalização, equipes técnicas e, principalmente, produtores rurais que atuam de forma responsável no campo.
Segundo os dados apresentados, o Tocantins se consolidou como referência nacional em regularidade ambiental. Com base no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024, do MapBiomas, o estado registrou, entre 2019 e 2024, 441 mil hectares de desmatamento com autorização legal, alcançando 59,6% de área desmatada autorizada, mais que o dobro da média nacional, de 23,5%.
No cenário do Matopiba, região considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país, o Tocantins também aparece em posição de destaque. Em 2024, o estado apresentou 81,9% de cobertura de fiscalização e autorização sobre a área desmatada, o maior índice entre os estados que compõem a região, demonstrando avanço na regularidade das atividades produtivas.
O secretário ressaltou que esse desempenho não pode ser compreendido apenas pela análise do desmatamento bruto. A leitura qualificada dos dados permite diferenciar áreas autorizadas, áreas fiscalizadas, indícios de ilegalidade, cicatrizes de fogo e falsos alertas, oferecendo uma visão mais justa e transparente sobre a realidade ambiental do estado. Esse trabalho é fortalecido pelo uso de tecnologia e inteligência territorial, especialmente por meio do Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma).
Outro ponto destacado foi o papel do setor agronegócio tocantinense na conservação, que vem tendo um papel protagonista na preservação. Além de produzir alimentos, gerar emprego, renda e fortalecer a economia do Tocantins, o setor contribui para a manutenção de reservas legais, áreas de preservação permanente, nascentes, rios e biodiversidade. A mensagem central do fórum foi a de que o Tocantins possui um agro forte, produtivo e alinhado à legislação ambiental.
A apresentação também trouxe dados recentes dos alertas de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) que é um sistema desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisados entre janeiro e março de 2026. Do total de alertas avaliados, 18,4% apresentaram possíveis indícios de ilegalidade. Outros alertas foram classificados como desmatamento autorizados, cicatrizes de fogo ou falsos alertas, o que reforça a importância da análise técnica antes de qualquer conclusão pública.
Apesar dos avanços na regularidade ambiental, o fogo ilegal foi apontado como um dos principais desafios ambientais do Tocantins. Em 2025, o estado registrou cerca de 29,5 mil hectares de desmatamento ilegal, enquanto a área atingida por queimadas ilegais chegou a 1.579,3 mil hectares. Isso significa que o fogo ilegal atingiu uma área 53 vezes maior que o desmatamento ilegal no período.
Além dos danos ambientais, os incêndios provocam prejuízos diretos ao setor produtivo, com perda de pastagens, redução da produtividade, aumento de custos, impactos na logística e riscos para propriedades rurais, comunidades e áreas protegidas. Por isso, o combate ao fogo foi tratado como uma agenda de união entre poder público, produtores rurais, setor privado, municípios, brigadas, sociedade civil e instituições parceiras.
Para enfrentar esse desafio, o Governo do Tocantins ampliou os investimentos no Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais. Em 2026, o plano prevê R$ 26 milhões em investimentos, contra R$ 17,1 milhões em 2025, um aumento de aproximadamente 52%. O reforço busca ampliar ações de prevenção, monitoramento, estruturação de equipes, resposta integrada e uso de tecnologia.
Os resultados já apontam avanços. De acordo com os dados apresentados, a área queimada no Tocantins caiu de 2,77 milhões de hectares em 2024 para 1,83 milhão de hectares em 2025, uma redução de 34%. A inteligência geográfica também tem permitido classificar melhor os tipos de ocorrência, diferenciando queima controlada, queima prescrita, queima não autorizada e incêndio florestal.
O fórum contou ainda com a participação do chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti, que apresentou o estudo de caso Produção e Preservação no Tocantins, além de mesa-redonda mediada por Humberto Simão, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Ao reunir setor produtivo, instituições públicas, entidades parceiras e especialistas, o Fórum Agro & Meio Ambiente reforçou a importância da integração para consolidar o Tocantins como referência em produção responsável, regularidade ambiental e preservação.
Mín. 22° Máx. 32°





